Últimas Resenhas

[Hora de Filmes!] - The Rover

30 março 2015


Título: The Rover – A Caçada
Diretor: David Michôd
Com: Guy Pearce/ Robert Pattinson
Lançamento: 7 de agosto de 2014
Gênero: Drama

Sinopse: Em um futuro próximo, os habitantes australianos vivem uma rotina perigosa, onde a criminalidade impera. Com o passar dos anos, Eric (Guy Pearce) já perdeu quase tudo o que tem, e torna-se um homem duro e impiedoso. Quando sua última posse, seu carro, é roubado por uma gangue, ele vai atrás destes homens. No caminho, ele é obrigado e levar consigo Reynolds (Robert Pattinson), o ingênuo membro da gangue, abandonado por seus comparsas.

"Tenha medo do homem que não tem nada a perder"





Olá, pessoas!

Hoje na nossa coluna Hora de Filmes, trago um filme que estava a algum tempo querendo ver e finalmente tomei vergonha na cara e fui assisti-lo. Kkkkk Não é uma adaptação de nenhum livro, mas eu gostei do filme e resolvi deixar aqui a minha opinião sobre ele.
“Qual é a sensação que você tem quando acorda de manhã? Quando seus pés tocam o chão? Ou antes disso, quando você está deitado pensando em quando seus pés tocarem o chão. Qual é a sensação que você tem? Você sabe do que estou falando? “
The Rover ou A Caçada, em português, é um drama australiano completamente diferente dos filmes que estou acostumada a ver, porém surpreendente e que no final me fez montar uma opinião muito positiva sobre o filme. Não sou exatamente a pessoa que vive assistindo romances leves, que muitos chamam de água com açúcar, são raros os romances que me prendem verdadeiramente, mas também não sou daqueles filmes tão complexos, como ficção científica.

Dirigido pelo aclamado diretor David Michôd que também é roteirista do filme, The Rover é realmente diferente dos filmes que assisto, mas é um filme incrível, tenho que reconhecer as ótimas atuações, a ótima construção de personagens, os cenários e o tema que o filme retrata, além de um tanto audacioso e corajoso, ao meu ver.
Você não deveria.
Mas não consigo.
Você não deveria parar de pensar nela. Você nunca deve parar de pensar numa vida que você tirou. Este é o preço que paga por tirá-la.
Mesmo assim quando assisti vi um grande número de críticas negativas com relação ao enredo do filme, o filme não é exatamente fácil de ser compreendido, até por se tratar de uma visão do futuro próximo, após o colapso mundial. O filme nos coloca em um cenário que não estamos acostumados, isso talvez seja isso que o torne mais difícil.

Porém entre os críticos o filme recebeu elogios, sendo selecionado para o Festival de Cannes de 2014.

A trama gira em torno de Eric (Guy Pearce) e Rey (Robert Pattinson), quando Eric tem seu carro é roubado por uma gangue e ele decide recuperar seu carro, no entanto, enquanto tenta descobrir pra onde foram com seu carro ele encontra Rey, que participava da gangue, ferido e abandonado por seu irmão e como uma forma mais fácil de ter seu carro de volta, Eric o leva junto. Rey foi abandonado pelo irmão, deixado para morrer após ser ferido, porém para Eric, Rey é a chance de recuperar seu carro.
“Se você não aprende a lutar, sua morte chega logo.”

No início, parece difícil de aceitar alguém que atravesse o deserto australiano em busca do seu carro, mas basta entender o cenário em que os personagens estão vivendo; onde a miséria, a falta de comida, de água, e simplesmente a falta fé imperam. No filme é clara a desvalorização do dinheiro e da humanidade, e a violência sendo a forma de resolver qualquer questão, e com isso uma própria desvalorização da violência; ao longo do filme há assassinatos e esses são cometidos sem que ninguém tema a nada, não tem o que temer, ninguém irá o perseguir por causa de uma morte, a sensação que temos quando assistimos é que se trata de uma terra de ninguém.

Algo que me chamou a atenção ao longo do filme, foi a relação entre Eric e Rey, a enorme diferença que existe entre os dois. No início, pensei que pelo fato de Rey participar de uma gangue, ele seria o “vilão”, mas há uma certa inversão de papéis. Eric perdeu tudo, não tem mais o que perder, isso o tornou impiedoso e frio, distante, já Rey é um tanto ingênuo, enquanto todos perderam a fé em tudo, ele ainda acredita em Deus e em outros valores, e quando deveria temer à algo, à morte, ele simplesmente não consegue lutar, e isso algumas vezes gerou momentos um tanto irônicos e cômicos da sua maneira. Enquanto Eric praticamente não fala, se mantém em uma postura distante, Rey está sempre se movimentando e falando o tempo inteiro, esses “opostos” construíram ótimas cenas.

O filme possui um grande número de cenas com muitas falas ou cenas em que não existem nenhuma fala, nesse ponto que tenho que falar da ótima atuação dos atores, é surpreendente, com um destaque maior a Guy que em algumas cenas, com a sua postura, com seu olhar, suas expressões, nós podíamos ver em seu rosto a mudança de sentimentos pelo qual o personagem passava, e o grande número de falas fez com que eu não desviasse o olhar da tela quando ele aparecia. Robert Pattinson surpreende; a ingenuidade, a inquietação, os olhares compõe uma ótima atuação. Além do filme possuir algumas cenas marcantes e falas incríveis.

O enredo realmente me chamou a atenção, a forma que o filme foi levado, sempre retratando muito bem a violência, a desesperança, não existe uma preocupação com julgamentos, ou com o futuro, quando tudo está se perdendo, quando não há mais preocupação com valores, quando há escassez, não se tem e não se pode temer, todos ali buscam sobreviver ou ganhar algo, nem que para isso seja necessário tirar a vida de outra pessoa. Eric pode ser um personagem um tanto frio, mas por trás disso é visível a enorme tristeza por trás de seus atos, o que constitui um personagem incrível. Aquele personagem que por trás de seus atos possui um grande número de motivos e diversos outros sentimentos.

No início, acho que todos pensam que a relação de Eric e Rey poderia passar a uma amizade em meio a todo caos que o lugar vivia, mas no final do filme fica claro que não tem como isso acontecer no lugar que viviam e da forma como viviam.
“Seu irmão deixou você pra morrer, é isso que as pessoas fazem.”
Mas, preciso dizer que foi um dos melhores filmes que vi. A simplicidade e a verdade que o filme transmite são simplesmente incríveis, não é um filme com romance, muito menos com violência gratuita como em vários outros filmes, por mais que a violência exista. Mas o cenário criado pelo diretor, uma possível versão do mundo no futuro é algo que, sim nos assusta, mas nos impressiona. Já é possível hoje em dia ver a desvalorização da humanidade e uso da violência como resolução de algo, seja de pessoa pra pessoa ou de país pra país, em que cada um vive por si, porém no filme somos mostrados a isso de uma forma muito mais direta e simples, uma situação limite.

Mesmo assim, podemos ver alguns resquícios de humanidade em Rey, por mais que ao longo do filme ele mude muito, realmente gostei muito desse personagem, em meio de tudo o que ele estava vivendo ele ainda se manteve fiel ao que acreditava, por mais que em meio do deserto essa fé é facilmente abalada e isso constitui a mudança dele. Mas Eric também conserva em si alguns valores e sentimentos, isso sendo mostrado no final do filme, sabem aquele final que é tipo “Como o filme acaba desse jeito?” e nós temos a sensação de que não entendemos a história direito? Kkkkkk Então isso acontece nesse filme, aliás ao longo de todo o filme nós temos a sensação de que não o estamos entendo por completo, o que pra mim foi um tanto angustiante kkkkkkk
“Porque eu acredito em Deus e sei que Henry acredita também, e não a mal nenhum que o Henry gostaria de me ver cometer. Eu acredito nisso.”
O filme possui alguns pontos negativos e coloco isso sobre o seu avanço lento, leva algum tempo até que o filme entre em um ritmo. Não é um filme que agrada a todos justamente pelo tema e toda essa questão de que tem que ser compreendido.

Particularmente eu gostei do filme, gostei do enredo e da história que ele passa, de uma forma sutil retratando algumas coisas que já podemos ver hoje em dia. Mas ao mesmo tempo a história retrata de certa forma a lealdade, a verdade do ser humano, os personagens são absolutamente reais, com tantos erros e defeitos, são verdadeiros. E mais uma vez elogio as atuações, só posso dizer ao Guy que virei sua fã kkkkkkk E Robert, consegui ser mais fã ainda de você, kkkkkk esse personagem mostrou um grande amadurecimento.

Vou deixar o trailer do filme para vocês conferirem:


Enfim, espero que tenham gostado da resenha desse filme!

Beijos e até próximo post! <3
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