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[Resenha] Insígnias - Karol Blatt

14 setembro 2017

Título: Insígnias 
Gênero: Ficção | Literatura Nacional | Romance 
Autora: Karol Blatt 
Editora: Bezz
Páginas: 456
Ano: 2017

Sinopse:

Será que um grande amor é capaz de vencer uma grande guerra?
Para Ahren Müller, um jovem oficial das tropas de elite do führer com uma promissora carreira dentro da Alemanha Nazista de 1942, sua verdadeira guerra foi decretada no momento em que seus olhos cruzaram com os de Hadassa Belshoff, uma jovem judia que é levada como prisioneira para a residência de sua família na Polônia.
Vítima de um dos períodos mais cruéis da história da humanidade, Hadassa Belshoff encontra-se num terrível impasse ao se tornar prisioneira na mansão dos Müller. Tendo sido separada da família e com o destino nas mãos de um ditador que causou o genocídio de milhões, ela precisa decidir se deve seguir a razão ou o coração, quando em seu interior começam a brotar sentimentos inesperados e proibidos pelo seu algoz.
Um amor pode nascer em meio ao ódio? Até onde é possível perdoar? Insígnias revela um amor construído em uma época difícil e por duas pessoas que estão de lados opostos em um conflito que marcou a história para sempre. Dois corações que podem representar tanto a salvação quanto a destruição um para o outro. Mas, acima de tudo, Insígnias é o relato da força de um sentimento verdadeiro que ousa crescer em meio ao sofrimento e que não titubeia mesmo diante da ameaça sufocante da morte.


Hadassa 

Belshop tinha tudo para ser feliz, uma família linda e uma vida que podia ser perfeita, se não fosse sua origem. Ela nasceu judia em uma época onde os Judeus são odiados!

Tudo acontece quando Hadassa é retirada da sua casa com sua família por soldados nazistas, jogada em um caminhão como mercadoria podre, ela se vê em um galpão estranho cheio de judeus lutando para impedir que sua irmã, apenas uma criança, seja abusada sexualmente por um soldado nazista asqueroso. Nesse momento ela conhece Ahren Müller, o capitão da guarda nazista, depois de impedir as agressões, ele decide levá-la para casa para ser mais uma empregada, ela é bonita demais para acabar em um campo de concentração. 



Hadassa aos poucos começa a se tornar a protegida de seu senhor, e acaba caindo em desgraça com os outros judeus que moram na mansão, mas quando em uma emboscada na estrada, Hadassa escolhe por salvar a vida de Ahren ao invés de fugir, as coisas mudam drasticamente, ali nasce um sentimento, um sentimento vergonhoso, sujo e proibido, mas ainda sim, mais forte que cor, classe ou raça. 


"Então, de um momento para o outro, eu soube que as coisas tinham acabado de mudar entre nós. E não eram para melhores."


Aos poucos os dois vão se envolvendo e vai nascendo um sentimento até então proibido, judeus são considerados criaturas sujas e repgunantes, o envolvimento de nazistas com um ser judio é uma traição de alto escalão. Mas Muller não esta preocupado com isso, ele se sente sujo, carrega mortes nas mãos e apesar de amar Hadassa com todas as suas forças, sabe que é o culpado por afastá-la de sua família. Mas o amor não escolhe, ele apenas acontece, as únicas escolhas são feitas pelos atingidos, e nesse caso Hadassa e Ahren precisam decidir, e lutar para se manterem vivos em meio a guerra e morte para viverem seu amor.

Sabe aquele livro que você vê falarem e instantaneamente fica curiosa? Assim foi com insígnias!!! Vi um post no face falando bem dele e fiquei curiosa, quando olhei a sinopse me vi presa ao enredo, amo contextos históricos relacionados à guerra, e aqui eu tinha um amor proibido em meio ao caos, como não ler?

É impossível não sentir o conflito emocional de Hadassa nessa trajetória desesperadora!!! Ahren é o inimigo, um Nazista, um ser odiado por judeus, amar Ahren é envergonhar sua família! Mas seu pai também não é alemão? Um sentimento avassalador que vai nascendo em meio ao caos e que vai te puxando para dentro do enredo. Um contexto pesado e confuso, como amar o inimigo? Como pode ser capaz amar aquele que te tirou tudo? 


"Nós não podíamos ficar juntos. Aquele sentimento entre nós era doentio. Nazistas odiavam judeus. Eles tiravam nossas casas, separavam famílias. Eles não eram bons, eles carregavam armas e não hesitavam em usá-las contra nós. Eu não devia sentir nada por nenhum deles."

A autora encheu o enredo de momentos sufocantes, a adrenalina de estar sempre fugindo em busca de salvação, a guerra e morte que assola tudo ao redor. Um contexto sofrível, tocante e ao mesmo tempo degradante, saber mesmo que por escritos que fatos como os relatados no livro aconteceram, nos levam a pensar o que realmente valemos no mundo, se é que valemos algo, já que nossa nacionalidade ou cor pode falar muito mais alto do que nossas ações.

O livro esta recheado de contexto histórico, fatos reais que provam a pesquisa que foi feita pela autora para tornar o livro mais profundo possível, e ela realmente conseguiu, perdi o sono com essa leitura, e o chão também. A narrativa é feita em terceira pessoa, e a escrita da autora  é inebriante, desde a primeira linha fica impossível abandonar a leitura e se despedir desse casal, e mesmo quando a trajetória finalmente chega ao fim, fechar o livro é quase como perder um pedacinho do coração.

"Não importavam quantas coisas boas nós dois encontrássemos pelo caminho, nossa porção de felicidade estava sempre vinculada a uma dose de tristeza."

Com uma capa linda, e um significado profundo por trás do título, Insígnias é o tipo de romance que vai sacudir suas estruturas e te fazer enxergar a possibilidade de amar com outro olhos. Um livro totalmente inesperado, uma surpresa gratificante e apaixonante.

Super recomendo essa. que sem dúvida alguma foi a melhor leitura de 2017.




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