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[Resenha Dupla] Quando eu Parti - Gayle Forman

22 fevereiro 2017

Título: Quando eu Parti
Autora: Gayle Forman
Gênero: Romance | Jovem Adulto
Editora: Record 
Páginas: 308
Ano: 2016 



Sinopse:
Quando um coração falha, não é apenas o corpo que trai. Mas sonhos desfeitos, amores não vividos, destinos cruzados. Maribeth Klein tem a própria cota de problemas: do marido omisso até a chefe e ”ex-amiga” Elizabeth, passando pelos gêmeos superativos. Ela está sempre tão ocupada que mal percebe um ataque cardíaco.

Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, Maribeth começa a questionar os rumos que sua vida tomou e faz o impensável: vai embora de casa.

Longe das exigências do marido, filhos e carreira, e com a ajuda de novos amigos, ela finalmente é capaz de enfrentar o passado e os segredos que guarda até de si mesma


Olá 
pessoal!
Já faz tempo que não temos Resenha Dupla por aqui, mas a Record nos proporcionou uma ótima oportunidade já que a Nina e eu recebemos a mesma cortesia, e como é muito bom ler juntinho, aqui vamos nós.
É tão legal poder compartilhar sua leitura, ir discutindo o enredo conforme avança na história, que não queremos mais parar, por isso eu e a Nina, do Quem lê, sabe Porquê, resolvemos fazer de novo, e hoje apresentamos Quando eu Parti, o novo romance da Diva Gayle Forman.


E esquema é o mesmo: o meu texto está grafado em Azul e o da Nina em Rosa.

Maribeth é a tipica mãe e dona de casa... Casada há alguns anos, com um trabalho que ocupa metade do deu tempo, e um casal de gêmeos que ocupa o resto do tempo. Sempre atarefada e correndo contra o tempo para ter tudo em dia, Maribeth acaba passando despercebida por um ataque cardíaco, parece loucura, mas de inicio ela jurou ser apenas uma indigestão, mas quando deu por si, já estava internada e com duas pontes de safena no coração.

Após ser operada, ela volta para casa, mas aparentemente, ela já não é mais a mesma, não enxerga mais sua casa e sua família com os mesmos olhos, e a folga do marido, a opressão da mãe e mau criação dos filhos faz com Maribeth tome uma atitude inesperada, ela faz as malas e parte, levando apenas alguns pertences e dinheiro, ela deixa tudo para trás, filhos, marido e emprego, e busca uma forma de se encontrar e se recuperar.

Maribeth é o melhor exemplo da mulher atarefada e estressada do século XXI. Aquela que toma para si toda a responsabilidade com a família, casa e trabalho e acaba passando a maior parte do seu tempo no piloto automático, executando suas tarefas sem reflexão e sem ao menos perceber o quanto está cansada. Ela trabalha como revisora em revista da moda, tendo sua melhor amiga Elizabeth como chefe, e o que deveria ser apenas um trabalho de meio período acaba sugando mais de um terço de seu dia, e pior, está minando sua amizade. Jason, com quem está casada há mais de dez anos, tem um emprego confortável, faz o que ama e ganha muito pouco por isso, portanto a responsabilidade com as contas acaba recaindo sobre ela, e isso associado à apatia e preguiça do marido também está minando seu casamento. Os filhos gêmeos de quatro anos, Oscar e Liv, só vieram depois da terceira tentativa de Fertilização In Vitro, quando eles pensavam que já não poderiam mais ter filhos, mas o fato das crianças serem hiperativas, cheias de atividades a realizar e super dependentes da mãe também está minando o sonho de Maribeth com a maternidade.

Assim, sem tempo nem para olhar para o espelho, não é de se estranhar que ela não tenha percebido o infarto, e o fim do que seria apenas mais um dia de trabalho foi na ala hospitalar, com Maribeth com o peito aberta e duas pontes de safena. Mas o pior é quando ela chega em casa e percebe que o tratamento recebido pela família é o mesmo, eles não parecem preocupado com sua saúde ou dispostos a ajudar em sua recuperação, principalmente Jason, que tinha lhe prometido uma bolha de descanso e agora nunca está em casa para ajudar com as crianças. Deprimida e muito magoada, Maribeth retira metade do dinheiro da poupança e foge em busca do cuidado e conforto que não consegue encontrar em casa.



Comentários


Já faz um tempinho que recebi essa cortesia da Record, mas como estávamos programando ler juntas e eu estava com  muita coisa atrasada, ossos do oficio kkkkk, acabamos aguardando a hora certa para ler, e eis que ela chegou. No decorrer desse tempo, acabei me deparando com algumas resenhas não tão positivas e acabei criando um certo receio.
Essa foi minha primeira experiência com a escrita da Gayle e confesso que de certa forma gostei, mas nem de longe foi um dos preferidos do ano.

Com certeza Gayle Forman tem livros melhores. Seus YAs são livros tocantes e inesquecíveis e, se compararmos Quando Eu Parti com as obras anteriores que já li dela, com certeza esse livro deixa muito a desejar. Mas como primeira imersão da autora na literatura mais adulta, tenho que admitir que ela se saiu muito bem. Gostei muito de Maribeth e da maneira como a história se desenrolou, gostei de ver nela a representação da mulher que carrega o mundo nas costas e que nunca recebe os louros por isso, que não é valorizada ou respeitada. Acredito que precisamos olhar com mais carinho para essas mulheres, que são milhões por aí, cansadas, se sentindo velhas e solitárias e em busca de conforto.


Enredo

O enredo é complexo, mas natural e real impossível, se imaginar com um marido folgado, filhos mau educados e uma mãe incompreensível já é o suficiente para sentir um pequeno desespero, mas ler tudo isso, é muito pior. Mas apesar dos pesares, o final não me convenceu, e isso foi o que mais me incomodou na leitura, depois de tudo, eu esperava um pouco mais de Maribeth.

Se não tivesse escrito na sinopse, eu nunca imaginaria que Maribeth iria fugir da família, por isso, posso dizer que o enredo me surpreendeu. No seu caminho, ela encontrou novos amigos e aprendeu a se valorizar e a não esperar tanto dos que ama. E mais, aprendeu que ela também precisava ser mais paciente e cuidadosa com sua família, que as tarefas que ela executava era por obrigação e não por amor. Gostei muito do enredo e da maneira como as situações foram conduzidas, mas também esperava um pouco mais do final, uma explicação melhor para o desfecho. Eu já imaginava que o livro terminaria do jeito que terminou e fiquei feliz com as escolhas feitas por Maribeth, ma faltou um epílogo ou mais uma capítulo para que tudo ficasse bem claro.


Narrativa e Personagens

Os personagens criados por Gayle, são nada menos (acho que estou com vicio nessa frase) que reais e imperfeitos. O marido folgado que acha que tudo se resolve num passe de mágica, uma mãe folgada que não ajuda em nada e filhos, que por terem demorado tanto a vir, foram mimados e se tornaram insuportáveis.

Apesar de Maribeth tomar a atitude louca de ir embora e largar tudo para trás, de certa forma, ela ainda carrega tudo com ela, problemas e mais problemas, e ela acaba achando uma forma de se recuperar, um lugar novo, amigos novos e até uma paquera. Eu não posso dizer com certeza que faria o mesmo que ela, mas conforme a leitura acontece é desesperador e impossível não se sentir no lugar dela, não querer acolhê-la, a situação dela é bem pesada e a família um bando de folgados e dependentes.

Mas acima de tudo isso, fico me perguntando se a culpa não é dela, não foi ela que deixou tudo chegar a esse nível? Não impôs limites aos filhos e marido e ainda por cima deixou que tudo chegasse a esse nível. 


Gayle Forman tem uma narrativa maravilhosa e isso não mudou nesta sua incursão na literatura mais adulta. Até mesmo nos momentos mais parados do livro, eu não conseguia parar de ler de tão envolvida que estava com a história. A narrativa é em terceira pessoa, do ponto de vista de Maribeth, e por isso conseguimos ver as nuances da história de todos os personagens.

Maribeth é uma personagem muito real, que poderia ser qualquer uma de nós, e isso me agradou muito. Mas o melhor foi que, com o tempo, ela parou de ter pena de si mesma e começou a entender que ela também tinha sua parcela de culpa no que aconteceu. Os personagens secundários

Concluindo


O livro é bem bacana, a história bem real. A narrativa da autora é perfeita e por mais que não tenha curtido o final, me mantive presa na leitura até a última página, quando realmente fiquei brava com Maribeth.
A leitura é valida e recomendada, mas alerto, não esperem muito do final.

Eu amei! Concordo com a Kelly quanto ao final, realmente precisava ser mais elaborado e ter no mínimo um epílogo, para que pudéssemos saber como ficou a vida de Maribeth depois de tudo. Mas mesmo assim, eu concordei com as escolhas dela e o desfecho que Gayle deu aos personagens, só queria saber mais detalhes. E só por esse detalhe que o livro não foi cinco estrelas!


Quotes Favoritos




"Agora ela estava em queda livre. E aquilo não a matou. Na verdade, ela começava a se perguntar se podia fazer o contrário. Toda aquela fixação com a queda... Talvez devesse prestar mais atenção no livre."

"Maribeth se odiou por ter dito aquilo. Fazia com que parecesse mesquinha e invejosa da vida de Elizabeth, de seu dinheiro, do emprego. Quando na realidade, se tinha inveja de alguém, era de seu antigo eu, aquele que podia assegurar que Elizabeth era sua melhor amiga. Aquele que ainda tinha ambições e foco, e não passava o tempo todo atormentado. Aquele que possuía um coração que funcionava direito". (p.42)

Nota


Kelly


Nina: 



Essa foi nossa resenha dose dupla, esperamos que tenham gostado da mesma forma que gostamos de ler juntas e escrever juntas.
Se você nunca fez isso, experimente, é delicioso ler com um amigo!!!!
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