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[Resenha] Deixa ela Entrar - John Ajvide Lindqvist

01 fevereiro 2017

Título: Deixa Ela Entrar 
Gênero: Fantasia | Terror | 
Autor: John Ajvide Lindqvist
Editora: Globo Alt 
Páginas: 504
Ano: 2013 



Sinopse:
Exibido pela primeira vez no Brasil na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009, o filme sueco Deixa Ela Entrar é um fenômeno cult. Conquistou prêmios em mais de 40 festivais pelo mundo e foi refilmado por Hollywood. Concebida por John Ajvide Lindqvist, a história que deu origem ao filme foi publicada em 2004 na Suécia, onde se tornou best-seller instantâneo, lançada em mais de 30 países. Trata-se de uma das mais perturbadoras ficções de terror dos últimos tempos. Grande parte de seu impacto se deve à originalidade com que Lindqvist aborda a seara do vampirismo. Vários elementos dessa literatura estão presentes - a começar pelo título que faz referência à crendice de que vampiros só podem entrar em lugares para os quais são convidados -, porém ambientados no mais cru realismo. No enredo, Oskar, um garoto de doze anos, vive com a mãe no subúrbio de Estocolmo, na década de 1980. Solitário e alvo de bullying na escola, passa o tempo lendo e colecionando notícias sobre serial killers e planejando se vingar de seus perseguidores. No entanto sua rotina é alterada quando uma garota de doze anos, Eli, se muda para o apartamento ao lado. Uma profunda identificação aproxima o menino a Eli, ao mesmo tempo em que a vizinhança passa a ser assolada por uma onda de mortes misteriosas. Muito mais que sustos, o livro de Lindqvist desperta os horrores de quem tem de passar da infância para a maturidade em circunstâncias adversas e em um cenário opressivo. Com habilidade, o autor recorre a um registro naturalista, temperado de referências à cultura pop, para desenvolver uma história em que os medos são despertados tanto por elementos sobrenaturais quanto pela realidade concreta.



Deixa 
ela entrar foi uma descoberta de Insta, vi a capa, me senti curiosa e fui atrás da sinopse, amor a primeira vista, com uma pitada de terror e muito suspense, me aventurei nas páginas desse romance Sueco.


Oskar é uma criança atormentada, gordinho e com problema de continência urinária, ele é perseguido pelos moleques mais velhos, e sofre um bullying intenso, com o psicológico meio abalado, Oskar gasta suas horas de distração com pequenos furtos, atualizando seu livro de recortes de crimes e brincando no bosque fingindo ser um assassino.

Na pequena e pacata cidade Sueca, crimes começam a acontecer, pessoas são assassinadas e seu sangue é totalmente drenado, com suspeita de ser uma ceita religiosa, a policia inicia uma busca frenética pelo assassino.

Do outro lado temos Hakan, um adulto com sérios problemas de aceitação, durante suas narrativas, descobrimos ser ele o assassino, e acima de tudo que ele mata para que alguém sobreviva, um segredo, um amor, um mistério.

Na noite após o assassinato Oskar conheci Eli, uma garota estranha que mora no mesmo conjunto habitacional que ele, ela fede, mas ele não se importa, pois ela conversa com ele e não o distrata. Da carência de Oskar surge o amor juvenil, e o que poderia acabar em tragédia, acaba virando uma amizade com um laço tão profundo, que nem a morte poderia separar.


"É só deixar alguém entrar em sua vida e ele te magoa." 

Apesar dos personagens principais serem Oskar e Eli, o autor inclui muitos personagens na trama, cada um com seus problemas em particular, enfrentando coisas do cotidiano como alcoolismo, drogas entre outras. Quando inicie a leitura me lembrei muito de Cujo, do Stephen King, já que o autor também se utiliza de uma grande quantidade de personagens no enredo.

Oskar é jovem e sofre um bullying brutal dos colegas no colégio, e isso mexe tanto com sua cabeça que seu desejo mais interno é ver a morte dos mesmos, Eli é uma criatura vampiresca, se alimenta de sangue e não envelhece, tem como companheiro Hakan, aquele que mata por ela, que a ama com todas as forças, um relacionamento doentio que não foi muito abordado na história. Em volta temos os personagens secundários e tão problemáticos quanto os primeiros.

Confesso que o livro não supriu minhas expectativas, esperava um pouco mais de terror, mas apesar de ser uma história sobre vampiros, o foco do autor estava mais voltado aos problemas do cotidiano e a amizade inesperada entre as crianças, por ser um livro bem descritivo e com uma quantidade exorbitante de personagens a leitura acabou ficando arrastada e levei mais tempo do que desejava para finalizar a obra.

De todo o contexto do livro, o que mais me encantou foi a amizade entre Oskar e Eli, apesar de serem diferentes em todos os sentidos, ele aprendeu a respeitar e aceitar o que ela era, e Eli não serviu Oskar no jantar, mas o defendeu e o ensinou a se defender, mostrou a ele que ele podia ser melhor, podia ser maior e não precisava aceitar as injúrias dos colegas. Todos os temas abordados durante a leitura são pesados e foram muito bem trabalhados, o que faz com a leitura seja daquelas que te faz pensar, se apegar aos personagens não é difícil.

Quando já estava na metade da leitura, descobri que a obra possui duas adaptações cinematográficas, uma britânica que pode ser encontrada no Netflix e outra Sueca, um pouco mais parecida com o contexto do livro. O sueco não consegui achar para assistir, mas assisti a versão do Netflx, e apesar de terem alterado os nomes dos personagens, o filme foca apenas na relação de Oskar e Elias, tornando mais fácil a compreensão do conteúdo, as falas são as mesmas do livro, o que deixou um pouco mais original que o comum.

Se você é do tipo que curte clássicos, sejam eles com ou sem vampiros, vai gostar desse livro, com uma pegada muito mais Drácula do que Crepusculo, Deixa ela entrar é para quem gosta dos vampiros a moda antiga e curte um bom drama com abordagem de temas do nosso cotidiano.

A capa é simples e discreta, e talvez por isso tenha despertado minha curiosidade, a diagramação é confortável e a revisão impecável como sempre, marca da querida Globo Alt.

Apesar de ter me sentido perdida com a leitura, indico para quem gosta de um clássico e de vampiros daqueles de arrepiar os pelinhos, nada de brilhar no Sol kkkkk.






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