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[Resenha] Quase Casados - Jane Costello

20 novembro 2016

Título: Quase Casados
Autora: Jane Costello
Editora: Record 
Gênero: Chick-Lit 
Páginas: 414
Ano: 2014


Sinopse:
Para Zoe Moore, o dia de seu casamento foi o mais marcante de sua vida. Ou melhor, o dia em que deveria ter se casado, mas em vez disso, foi largada no altar após sete anos de namoro. Arrasada e disposta a se recuperar, ela decide se mudar de Liverpool para os Estados Unidos e trabalhar como babá. Ao chegar em Boston, ela se depara com a esperta Ruby, prestes a completar 6 anos, o adorável Samuel, que acaba de fazer 3, e o pai deles, Ryan Miller. Seu novo chefe, além de fazer uma bagunça sem precedentes e de ter um mau humor imbatível, é incrivelmente bonito. Depois de um começo um tanto decepcionante, Zoe e Ryan começam a se entender, mas ela está prestes a descobrir que recomeços podem ser mais difíceis do que esperava.



Para
 
constar em minha defesa: odeio abandonar leitura! Sinto que estou sendo ingrata com o (a) escritor (a), que fiz toda a equipe que cuidou do processo de criação dele perder seu tempo, mas quer saber? Se ninguém foi capaz de ter uma conversa franca com a Jane sobre uns itens problemáticos de “Quase casados”, não sou eu que devo me torturar.



Este é o terceiro livro que leio de Jane Costello e, francamente, só o li – tentei – porque queria tirar a prova dos noves de que valia a pena colocá-la na lista de escritoras favoritas e ler todos os seus futuros trabalhos.

Os mesmos elementos de “Damas de Honra” e “Corra, Abby, corra” estão presentes neste também: vários personagens com personalidades distintas – o que é algo que eu gosto muito porque tira o marasmo da leitura. Normalmente chick lits consistem em UMA melhor amiga que conhece a protagonista desde a infância e outra do trabalho (às vezes só tem a do trabalho mesmo), e a outra personagem feminina é irmã ou a mãe que só existe para termos mais dimensão da personalidade da protagonista. Mas nenhum homem é uma ilha, e no universo dos livros de Jane Costello, tal como na vida real, temos diversas relações e todo dia falando com várias pessoas por vários motivos diferentes. Outro elemento é uma mocinha na casa dos 20 anos com sua vida profissional resolvida, mas a amorosa totalmente fora de controle.

A primeira diferença é que Quase casados não se passa em Londres como os outros romances. Depois de ser largada no altar, a professora infantil Zoe Moore resolve se reinventar e aceita trabalhar como babá nos Estados Unidos para fugir dos seus fantasmas.

Ela adora as crianças, e logo conhece outras babás inglesas também, e se dá muito bem com elas, apesar de nem sempre concordar com a forma que cada uma lida com seus mini patrões.

A segunda diferença está em Ryan Miller, patrão de Zoe, e todos sabemos que ela se apaixonará por ele. O que não consegui entender foi o motivo. Por mais que achasse os outros namorados das personagens principais dos outros dois livros muito comuns – e beirando a sem-gracice -, ao menos eles eram pessoas legais que tratavam Evie e Abby muito bem. Aliás, eles tratavam todo mundo bem porque é o comportamento esperado de um adulto. Mas Ryan não. Ele perdeu a esposa e acha que tem carta branca para tratar a todos – inclusive seus filhos – mal, com indiferença. E acha que seu mau humor pode ser justificado pelo luto. Só digo: não! Nunca!

Jane Costello pode ter achado que isso explicava o personagem e faria o leitor se compadecer dele, Zoe e os outros personagens parecem tranquilos com o jeito de Ryan, mas em hipótese nenhuma, uma pessoa tem aval para ser grossa com outra pessoa que nada tem a ver com o momento delicado que você está passando.

E além do comportamento reprovável dele, o que mais me incomodou durante a leitura foi isso: a normalidade com que Zoe aceitava ser tratada como lixo e a normalidade com que todos os demais personagens viam o Ryan. Sei que desde o primeiro momento em que ele apareceu, eu criei antipatia por seu jeito antipático e não consegui pensar em mudança de atitude nenhuma que desfizesse a primeira impressão que tive dele.

Para se ter uma ideia, Zoe foi chamada como babá, mas Ryan a colocou para fazer todo o serviço doméstico que ele estava “deprimido” demais para fazer e ela ainda ouvia sermões quando deixava de lavar a louça dele, limpar as paredes da casa ou “não ter a boa vontade de fazer uma gentileza, tal como, passar as roupas dele sem que ele pedisse”. Logo no começo do livro, a personagem deixa bem claro qual era o papel dela naquela casa: ser babá. Somente. Os demais serviços do lar não tinham nada a ver com ela (e é verdade).

E como Zoe reagiu diante das exigências do patrão? Com imaturidade e silêncio. Não é de se estranhar que ela não gostasse da exploração, mas a alternativa que encontrou para isso... Eu lia e não acreditava nas situações embaraçosas que ela criava. Sentia muita vergonha e não conseguia criar nenhuma simpatia por uma personagem tão patética. O objetivo dessas trapalhadas era criar um pouco de humor na história, mas nada daquilo tinha graça: sem o abuso do patrão, nem a reação de Zoe.

Não dá para se identificar com Zoe porque por mais que a gente tenha vivido momentos constrangedores na vida e sejamos estabanadas, Zoe leva isso a outro nível. Um nível surreal. E a maioria das saias justas podia ser evitada se ela apenas não fosse tão submissa e tomasse decisões tão imbecis. É uma mulher de quase 30 anos, independente, com boa situação financeira que se comporta como adolescente ingênua o tempo todo. E quando digo adolescente também quero dizer uma menina bobinha que nutre paixonite por alguém que não a merece.

O que não consigo entender é por que Jane a retrata como mulher desesperada por sexo, homens e namoro como se fosse o oxigênio dela? E é estranho uma mulher que foi largada no altar pelo noivo recentemente ser assim. Mas quando encontra seu patrão - descrito como um semideus, mas que te faz pensar que a beleza dele deve enjoar -, lá vem. Parece que ela está no cio. Zoe é uma mulher que foi magoada e humilhada, a aparência do Ryan não deveria ser a primeira coisa que a chamar a atenção dela. Ela não deveria nem focar nisso. E se focasse, esse fogo deveria apagar diante da grosseria dele.

Foram os livros da Jane Costello que me fizeram parar de julgar um livro pela capa. Porque ao vê-los, você quer comprar e ter na sua estante capas tão lindas, fofas. Quer mostrar para todo mundo, não parar de olhar. Mas ao lê-los, você se arrepende do dinheiro que gastou comprando este, ao invés de outro livro mais bem es
crito.






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