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[Resenha] No Mundo da Luna - Carina Rissi

22 novembro 2016

Título: No Mundo da Luna 
Autora: Carina Rissi
Gênero: Romance| Literatura Nacional
Editora: Vêrus 
Páginas: 476
Ano: 2015 


Sinopse: 
A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando seu nome.Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção?Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor.

Com seu estilo ágil e fluido, Carina Rissi criou em No mundo da Luna uma leitura viciante, permeada de humor, magia e paixão, que vai conquistar você do início ao fim.


Carina 


é uma escritora que cujos livros eu sempre lerei apesar de sempre me decepcionar muito ou um pouco com eles. Mas eu gosto dela, eu a seguia no Facebook e vi como ela é gente como a gente. Ela é uma leitora voraz e, muito provavelmente, foi sua paixão pelas palavras que a colocou nessa profissão. Há sempre uma referência literária em seus livros. Neste temos dois nomes de personagens inspirados n’A divina comédia. E é óbvio perceber que Perdida gira em torno de Orgulho & Preconceito. Ela ama Jane Austen e ama esse clássico como muito de nós. Não fosse o bastante, os personagens também são aficcionados por literatura.

Embora acredite que ela melhorou muito de Perdida para este, tanto na maneira de escrever quanto no aproveitamento dos personagens e na elaboração da história, ainda não consigo me identificar com suas protagonistas. E ainda acho que ela precisa tomar cuidado com as mensagens que passa para seu público.

Bom, eu disse que não conseguia me identificar com as mocinhas da Carina, mas tem um ponto em que eu a compreendi muito bem. A Luna tem 24 anos, é jornalista, mas acha sua vida um fracasso por trabalhar em uma revista, não exercendo sua profissão, mas como secretária de um chefe que ela descreve como mal-humorado e que nem acerta o nome dela. E ela fica na mesa dela vendo os demais funcionários, colegas de Jornalismo, trabalhando na área deles, felizes e satisfeitos. Além disso, ela levou um pé na bunda depois de descobrir uma traição do namorado. E tem um carro que  é o xodó dela, mas sempre a deixa na mão – e a faz gastar mais em seu conserto do que ela tem no banco.

Para quem já viveu essa experiência de sair da faculdade sem emprego ou conseguir um que não tem nada a ver com a sua formação, se identificar com a Luna é fácil. Ela tem as expectativas dela, mas está frustrada por não tê-las alcançado ainda. E tem a sensação de que é a única, pois todo mundo trabalha na área que se formou, ganha bem o suficiente para não se preocupar com as contas, menos ela. Todos realizaram seus sonhos, menos ela. Todos vivem a vida dos sonhos, menos ela. É claro que é um exagero da personagem. Veja bem, ela tem 24 anos, mora em um apartamento bom, em um prédio excelente, está empregada – e em uma revista, quem sabe consiga uma promoção e passe a escrever colunas como tanto deseja? - e conseguiu comprar um carro. É muito mais do que muitos jovens conseguem. Mas como falei: quem já passou por isso entende a cegueira que a ansiedade de ser bem sucedida causa. O problema é que a história se desenrola e ela continua se achando uma fracassada,e se queixando da situação. Tem uma hora que a gente cansa.

O par dela: de príncipe à sapo. Até a metade do livro eu estava mais apaixonada por ele do que a Luna. Queria encontrar um desses para mim de qualquer jeito. Mas aí comecei a perceber uns traços na sua personalidade que me desagradaram de tal modo que de ler metade do livro em uma semana, eu passei a enrolar o resto do mês para terminá-lo, embora desejasse acabar com aquilo o quanto antes para pular para uma leitura mais agradável.

Quando mencionei que Carina deveria ter cuidado com a mensagem que passa, quis falar da construção desse personagem. Pra mim ela romantizou um sujeito agressivo e controlador que fica num mau humor terrível toda vez que a Luna dá para trás na relação. Ele não desconta nela, mas nas pessoas com quem trabalha, de tal forma que eles ficam com medo de falar com ele. Medo. Há várias passagens no texto em que ele está berrando ao telefone, xingando alguém, indo com o carro para cima de alguém. Sei que foi a forma da escritora mostrar o quanto ele estava caído pela Luna e o quanto a indecisão dela o desestabilizava, porém, não foi a melhor decisão. Não achei bonito.

Além disso, ele não a deixa em paz. Uma das coisas que me irritou na história foi ele praticamente ser citado tanto quanto ela. Acho que até mais. Ora era ela que não parava de falar dele, ora era ele que aparecia onde ela estivesse o tempo todo para resolver qualquer problema que ela tivesse como se ele fosse o senhor Solução de Tudo. E no fato de achá-lo controlador também está nisto:  ele fazer tudo por ela, como se ela não fosse capaz. Eu gosto de homem que vê uma crise e ajuda. Mas tem uma diferença entre você “se meter” porque a pessoa não consegue raciocinar direito e achar a solução e “se meter” porque acha a pessoa tapada. Luna se enquadrava na primeira opção, ele agia como se ela estivesse na segunda.

Uma coisa que eu não sei se não gostei/não entendi, foi como ela descrevia um personagem. Ela usava palavras como “cappuccino”, “chocolate” e sei lá mais quais para descrever o tom de pele dele e não captei o que significava. Pessoas são pessoas, bebidas são bebidas. Por que ela misturou os dois? (Mas esse personagem era muito legal, e ela soube introduzi-los nos momentos certos)

Bem diferente do que aconteceu com o irmão da Luna, Raul. Que personagem mais descartável! Poço de machismo hipócrita. E sem nenhuma química com a irmã. Carina insiste que ele é um irmão mais velho como todos os irmãos mais velhos, mas eu só o achei extremamente chato. Quando a Luna precisava dele, ele não estava, mas quando ela não precisava, ele se metia para dar lição de moral nela ou no interesse amoroso. E não de um jeito fofo.

Graças a Deus, Raul é o único exemplo de personagem criado desnecessariamente. Os outros, ainda que em níveis diferentes, ajudam no desenvolver da trama, aparecem nos momentos certos. Ela deu espaço para conhecermos um tiquinho de pano de fundo de alguns como Sabrina, melhor amiga e colega de apartamento da Luna, e da Julia. E isso deu dinamismo.

Eu já elogiei a melhora dela porque fiquei surpresa como ela conseguiu criar um livro tão fabuloso, apesar das falhas mencionadas anteriormente. Tive uma profunda decepção com Perdida - achei uma boa história desperdiçada – e escolhi No mundo da Luna para ler com muita cautela. Houve melhora nos diálogos, as situações se encaixavam bonitinho e não sei se falei antes, mas até o interesse romântico dela começar a me irritar, a química entre eles explodia. Depois ela desapareceu junto com a imagem de homem perfeito que tinha dele.

Só acho que ela não precisava escrever um livro tão longo. São 476 páginas, e deixa eu ser franca: sem necessidade. De uma história concisa e bem encaixada passou a ter situações meio absurdas tudo porque ela perdeu a hora de parar de escrever.

Obs.: Eu não falei muito da parte dos horóscopos. Bom, Luna não acredita nisso, mas eu sou mais uma Sabrina da vida. E, sinceramente, como ela fez sucesso nessa área, não reclamaria de nada.



                                                   
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