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[Resenha] Depois da Chuva - Maria Clara Mattos

06 julho 2016

Título: Depois da Chuva
Autor: Maria Clara Mattos
Editora: Gutemberg
Páginas: 176
Ano: 2016



Sinopse:
Se a vida é a ficção que existe entre a verdade e a mentira, será que um escritor pode roubar a alma de uma pessoa?Laura gostava de chuva… a garoa era reconfortante. Sua vida era perfeita como um lago de águas calmas: ela era uma editora consagrada, tinha um marido amoroso e uma filha carinhosa e esperta. Mas quando Edgar apareceu em seu escritório com um semblante misterioso e o manuscrito de uma história ruim, ela sentiu que uma tempestade estava prestes a começar. Algo nele era tão desconcertante que Laura não conseguiu dispensar aquele arremedo de escritor.Edgar estava no olho do furacão. Era um cara viajado, interessante, falava vários idiomas, mas não estava preparado para ser pai nem para a aspereza de um casamento sem afinidades. Ele nunca se sentiu atraído pela trivialidade de uma vida cotidiana, mas tampouco lhe interessava a ideia de ser trocado, de ver sua mulher se apaixonar por um exemplar corriqueiro de terno e gravata, e testemunhar a aproximação entre sua filha e um pai que não era ele. Decidiu que não aceitaria isso de mãos atadas.Foi numa avenida com jeito de encruzilhada que eles se encontraram. Que se olharam, mas não se viram. Mas foi na Literatura que eles se perceberam, se descobriram… E quando duas vidas se cruzam no meio de uma tarde chuvosa, o amor pode vir de onde a gente menos espera.
Mas o que acontece quando o amor acaba? Quando cada esquina é uma possibilidade de encontro e cada curva é uma chance de recomeço, como saber qual caminho seguir?



Recebi
esse livro como cortesia da parceira Gutemberg, e  confesso que o solicitei apenas pela capa, não cheguei a ler a sinopse. A capa é meiga e me apaixonei logo de  cara, mas não imaginava o que me esperava no  virar das páginas.



Laura é uma mulher adulta que possui sua vida totalmente organizada, mãe de uma menina linda, esposa de um advogado amoroso, com  emprego que a fazia feliz. Laura é editora chefe  de uma editora, a responsável por tornar sonhos realidade, mas quando Edgar entra em seu escritório e lhe apresenta um manuscrito que mais parece um desabafo, ela sente que sua vida vai virar de pernas pro ar. Apesar do livro não ser bom, seu faro editorial lhe diz que com algumas alterações a obra pode ficar muito boa, isso somado ao fato de que ela se sente incrivelmente atraída por aquele homem estranho e desconhecido, faz com ela aceita transformar o manuscrito em uma grande obra.


"Ela gosta de dias de tempestade, sempre gostou, ainda mais agora que a vida dela é calma. Um trovão de vez em quando não faz a ninguém."

Edgar, homem viajado, morador da praia de Ipanema não eta passando por bons momentos, divorciado, traído, trocado por um engravatado, ele encontra naquela mulher estranha em uma esquina num dia de chuva a esperança para um recomeço, e será pensando nela que seu livro será escrito. Ele também é pai, mas não sabe ser, não sabe lidar com a filha e mais do que isso a culpa por seu divorcio, a repudia por ter amor pelo padrasto, aquele que levou sua mulher, e será nas páginas e naquela mulher que ele encontrará sua salvação e amadurecimento.


"Mas a verdade é uma só: a vida não vem de receita. É a pimenta demais ou o açúcar de menos que provoca os efeitos colaterais. No caso dele, o divórcio."

Quando iniciei a história confesso que me senti perdida, não conseguia entender como Laura, uma mulher que tinha a vida perfeita se apaixonou perdidamente por um estranho, um homem com o qual ela trocou poucas palavras. Aos poucos Laura e Edgar vão se aproximando, e quando já não mais chance de afastamento ela se entrega a essa paixão avassaladora.

Meu ser monogâmico não conseguia  entender e aceitar as atitudes de Laura, não conseguia aceitar que a vida dela fosse perfeita demais para buscar refúgio em um estranho, em contra partida, Edgar não tinha o que perder, e de certa forma para mim ele já estava perdido. Perdeu a mulher por não saber dar atenção, não sabia ser pai e em nenhum momento se esforçou, preferiu culpar a filha por coisas que não estava no controle dela. E foi nesse momento de profunda raiva do casal e suas atitudes que a autora me surpreendeu.

Os acontecimentos que se seguem me deixaram de queixo caído, me perguntando o que eu tinha perdido, se por acaso havia lido as páginas com tanta velocidade que não me deu conta do que estava na frente dos meus olhos.


"O amor por alguém com quem a gente troca saliva, sonhos e posteridade pode desaparecer assim, num piscar de olhos. Do mesmo jeito que chega. Às vezes sem nenhum alarde, sem aviso nem permissão."

A escrita da autora é poética, tanto que meu livro esta todo colorido com quotes que me emocionaram e me tocaram de uma forma surpreendente, uma escrita leve que flui com uma facilidade muito grande, e quando você menos espera esta sendo arrebatado por um redomoinho de emoções e sentimentos que parecem não se encaixar a primeira vista.

A Gutemberg fez um trabalho incrível na diagramação, a capa é fofa e representa bem o ápice da história, as folhas são amareladas com letras em azul, totalmente diferente do que estamos acostumados, e os capítulos são divididos por lindas imagens desenhadas, como uma demonstração das várias formas em que a chuva pode ser representada.




Encantador, apaixonante e surpreendente, Maria Clara criou uma história arrebatadora para leitores e autores, uma história de amor, entre homem e mulher, autor e palavras. Uma história poética que merece e deve ser lida por todos que amam as palavras, independente se são os que escrevem ou apenas os que leem.

Uma surpreendente história que me tocou, e me ensinou que é possível vencer, e que na fantasia talvez esteja a sua libertação da realidade, a resposta para alcançar seus objetivos e vencer seus fantasmas. Favoritado e 5 borboletas merecidíssmas.





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