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[Resenha] Apenas um Dia - Gayle Forman

28 abril 2015



Título: Apenas um dia
Autora: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 384



A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, no último dia do seu curso de extensão na Europa, depois de três semanas de dedicação integral, ela conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willem a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida. Apenas um Dia fala de amor, mágoa, viagem, identidade e sobre os acidentes provocados pelo destino, mostrando que, às vezes, para nos encontrarmos, precisamos nos perder primeiro... Muito do que procuramos está bem mais perto do que pensamos.

Oi oi turminha linda, como vocês estão? Depois de resenhar um livro tão complexo e desafiador, hoje trago para vocês um que eu estava muito ansiosa para ler: Apenas um dia. 



O livro conta a história de Allyson (ou Lulu dependendo a situação), uma garota de 18 anos que acabou de se formar no colegial e está prestes a ingressar no curso preparatório para a escola de medicina. Como presente de formatura, ela ganha de seus pais um turismo cultural pela Europa. 

Depois de passar por várias cidades históricas e conhecer o que até então ela só tinha visto em cartões postais, Allyson, sua melhor amiga Melanie e o restante da turma estão em Stratford-upon-Avon, a cidade natal de ninguém menos que Shakespeare, debaixo de um sol escaldante à espera de entrar no teatro para assistir a interpretação de uma de suas obras. 

Pouco antes de o espetáculo começar, as garotas são surpreendidas por uma trupe alternativa que as convida para assistir “noite de reis” de uma maneira completamente diferente. Vencidas pela curiosidade e impulsionadas pela beleza do ator, ambas dão um jeito de escaparem de Hamlet. Encenado à margem de um dos canais, Allyson se vê hipnotizada durante todo o espetáculo e quando ele por fim acaba a garota recebe um breve olhar do ator principal, algo que já lhe faz “ganhar a noite”. 
Na manhã seguinte à apresentação Allyson e Melanie embarcam em um trem rumo à Londres. Cansada demais por despertar tão cedo, Melanie pega no sono e Allyson faminta acaba indo até o vagão restaurante. Prestes a fazer seu desjejum, Allyson é surpreendida ao ficar diante do garoto da noite passada. 
Durante a curta viagem de trem, Allyson, agora chamada de Lulu por Willem, passando a conversar sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Quando por fim param em Londres, Allyson se vê desejosa de conhecer Paris. Sem hesitar, Willem a convida para passarem um dia na cidade luz, e é então que Lulu comete sua primeira grande “loucura”. 
Depois de deixar sua bagagem em uma boate onde uma “amiga” de Willem trabalha, os dois sem veem livres, sem nenhum tipo de planos para as 24hrs que há pela frente, que os permite explorar a cidade mais apaixonada do mundo, que se revela uma verdadeira montanha-russa de emoções. 
Após passarem uma noite mais do que agradável dentro de uma galeria de arte à qual invadiram, Lulu acorda sozinha, em uma cidade estranha na qual não domina o idioma. As horas passam enquanto ela espera por ele e quando o medo à leva ao limite, Allyson foge de volta para a vida segura, deixando Paris para trás com muitas perguntas sem respostas. 
De volta aos Estados Unidos, sua vida segue exatamente como o planejado, exceto pelo fato de Allyson estar infeliz, cursando aulas das quais não lhe agrada e planejando um futuro exatamente como seus pais haviam planejado. 
Como uma expectadora que acompanha cada um dos passos de Allyson, arrisco-me a dizer que sua vida não passa de um filme em preto e branco, exceto pelas 24hrs em que esteve em Paris, vivendo tudo tão intensamente, sem planos ou expectativas. 
Após um choque de realidade uma pequena faísca se acende em Allyson e aos poucos a garota antes tímida e reclusa se abre a novos amigos e possibilidades, tornando-a uma pessoa melhor a cada página. 
A princípio a trama me incomodou um pouco, já que muitas vezes durante o período em Paris o livro me remeteu a outro (Onde deixarei meu coração), que tem alguns aspectos bem próximos a esse. Essa “má impressão” só durou até o ingresso de Allyson no curso preparatório. A partir deste ponto, o desenrolar da história se torna realmente adorável. 
Assim como em “Se eu ficar”, em “Apenas um dia” Gayle conseguiu me roubar o ar. Dessa vez não houveram lágrimas, mas ainda assim pude sentir cada um dos sentimentos que Allyson tinha em si, e apesar de julgá-la por certas decisões, nada impede que qualquer um de nós faça algo assim com nossa vida. 
O livro vai muito além de um romance. Recheado incertezas, descobertas, amor, dupla felicidade e acasos, Apenas um dia me tirou o sono, fazendo-me mergulhar de cabeça na história e só parar quando cheguei a ultima linha. Tendo um final em aberto, eu mal posso esperar para ler a sequência “Apenas um ano”, que agora é narrada do ponto de vista de Willem. 

Personagens secundários: Com alguns tendo um destaque e influência maior do que outros, cada um deles exerce um papel fundamental na história, no amadurecimento e nas decisões que Allyson toma, fazendo com que a cada página descubramos um pouco mais da garota. 

Capa e diagramação: A capa é simples, limpa e me faz pensar que foi tirada em uma das muitas viagens de trem que a personagem fez, porém, tenho que confessar que a modelo da capa não se parece em absolutamente nada com a Allyson que imaginei. Gostei bastante da nova capa, que combina a sequência. 
A diagramação é simples e delicada, e os capítulos são enfeitados com uma florzinha delicada que adorei. Em alguns, o número do capítulo vem acompanhado de uma localização, uma referência de onde os eventos estão acontecendo. Isso ajuda bastante caso o leitor seja uma Lulu e se perca de vez em quando. 

Quotes: 

— Eu me apaixonei. Existe uma enorme diferença, Lulu, entre ficar apaixonado e estar apaixonado.
(...)
— Não entendi.
— É preciso se apaixonar para estar apaixonado, mas se apaixonar não é o mesmo que estar apaixonado. Você já seu apaixonou? 

— Você acha que isso aconteceria? Simplesmente daríamos de cara um com o outro, por acaso?
Willem ergue as mãos para o céu.
— Teria que haver outro acaso. E bem grande.
— Ah, então você está querendo dizer que eu sou um acaso?
O sorriso dele se estica como um caramelo.
— Absolutamente. 

— Por ora, o tempo não existe. É o que Jacques disse… fluido?
— Fluido — repito, como um encantamento. Se o tempo pode ser fluido, então talvez algo que seja apenas um dia possa continuar para sempre. 

Comentários: Comecei a leitura repleta de expectativas, e apesar do tempo que eles viveram em Paris ter sido maravilhoso, acabei comparando-o com “Onde deixarei meu coração”, que tem uma pegada bem parecida. 
Acabei relevando porque de fato é só mais um clichê, mas Gayle soube como fazer meu interesse e admiração voltar. Leitura super recomendada para os viajantes, sejam eles de todos os tipos! 
Dei quatro estrelinhas e apesar da trilha sonora ter sido Coldplay, a mais tocada foi o cover de “The Scientist” na voz da Kina Grannis. 












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