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[Resenha] O Diamante - J. Courtney Sullivan

02 fevereiro 2015


Título: O Diamante
Autor(a): J. Courtney Sullivan
Editora: Novo Conceito
Páginas: 480
Ano: 2014
Sinopse: Cinco personagens, separados pelo tempo e aparentemente sem conexão entre si, contam a história da paixão das mulheres pelo diamante aliás, não só das mulheres!
Revezando-se em uma ciranda de acontecimentos divertidos, infelizes, revoltantes ou surpreendentes, a extraordinária Frances Gerety que existiu de verdade e outros indivíduos muito especiais mostram que a história de uma sociedade é construída por meio das relações humanas, na intimidade dos lares. As transformações do mundo moderno nem sempre conseguem abalar aquilo em que se acredita com todo o coração mas as decepções com aqueles que amamos... essas podem mudar as nossas opiniões.
Um livro diferente, que fala das muitas formas de viver o amor e que deixa no ar uma pergunta: os casamentos são mesmo feitos para durar?



O Diamante – 1988

Olá, pessoas!

Dessa vez eu trouxe uma resenha de um livro feita em parceria com o blog Arca Literária; O Diamante.

Acho que todos, em algum momento, ouviram a frase com que iniciei o post, certo? Essa frase é fundamental pra história, é a partir dela que a história se desenvolve.

Esse livro é um tanto complexo e difícil de se compreender, mas tudo se inicia na década de 40 quando Frances Gerety cria essa frase do início do post, ou melhor um slogan para uma campanha de publicidade de diamantes. Naquela época havia a ideia de que toda a mulher deveria ter um diamante em seu anel de noivado. No livro, em uma madrugada, Frances rabisca esse slogan em um papel para no dia seguinte apresenta-lo.

“Três horas depois, acordou com o barulho do despertador, e a primeira coisa que fez foi olhar para o que havia escrito: “Os diamantes são eternos”.
Achou que estava perfeito assim”.

O que ela não fazia ideia, é que uma frase rabiscada as pressas algumas horas antes da apresentação iria se tornar um dos maiores slogans da história da publicidade, sendo usado durante anos após a sua criação e impulsionando ainda mais as vendas de diamantes. Simples, sutil, mas que não se relacionava exatamente ao fato de o diamante durar para sempre, Frances não fazia ideia disso quando escreveu, o diamante seria a prova do amor verdadeiro e de que ele seria eterno, nós estamos falando de publicidade e com slogans, campanhas, eles passaram a ideia de que um anel de noivado de diamante era extremamente necessário, quase uma prova de amor.

“-Se discutirmos mais o assunto, tenho certeza de que poderemos chegar a algo similar para atingir nosso objetivo.
Ela pensou em acrescentar: Só trabalhei nisso por uns três minutos, e de madrugada, mas se segurou.”

O que me surpreendeu ao ler o livro, é o fato de que Frances e toda a sua história não é uma criação da autora; Frances é uma personagem real! Algo que deve ser destacado quanto ao livro é o excelente trabalho de pesquisa feito pela autora, ela fez com que nos sentíssemos parte integrante de toda a história devido a riqueza de detalhes que ela proporcionou à narrativa. E achei um tanto quanto corajosa a iniciativa da autora de escrever sobre uma personagem real, da forma que ela o fez, ela poderia ter passado dos limites e descrevido uma Frances totalmente diferente.

“Frances tentou ler um memorando na sua mesa. Estava cansada. Um dia ela teria de começar a manter um horário normal, mas costumava acordar muito durante a noite. Ela deveria era trabalhar no turno da noite de um jornal.”

Como eu disse, o livro é um tanto difícil de se compreender, é um livro longo, com um bom número de páginas, o que já o faria se tornar um pouco cansativo. No início a narrativa é mais pesada, e mesmo elogiando a parte de pesquisas em algumas partes a narrativa fica repetitiva e talvez, muito detalhista, até cheguei a pensar em desistir do livro, mas ainda bem que não fiz isso, pois à medida que a história foi avançando, foi se tornando aquele livro que não largamos enquanto não terminamos.

O Diamante – 1947
Eu falei que o livro era complexo, e é bastante, ele travou a minha mente em alguns momentos, e isso acabou também prejudicando a leitura, eram muitas idas e vindas, muitas passagens de tempo, muitos personagens, ficava confuso compreender tudo isso.

 O livro possui cinco partes, e com mais cinco capítulos dentro de cada parte. Os título dos capítulos são os anos em que as histórias aconteceram, além do fato de que em cada capítulo temos a história de personagens diferentes. Ou seja, no total temos cinco histórias que que vão se desenvolvendo ao longo de cinco fases. Perceberam o porquê de eu ter ficado confusa? Cada capítulo inicia com um pequeno parágrafo relacionado aos diamantes, quase todos feitos pela agência Ayer em que Frances trabalhava.
Demora um certo tempo até o leitor se adaptar com isso, guardar cada personagem e principalmente manter a história de cada um na mente, como eu disse o livro é cercado de idas e vindas; nós lemos uma parte do livro, com seus cinco capítulos, personagens e suas histórias e depois partimos para outra parte e temos que recomeçar os capítulos e saber onde a história de cada personagem parou. É cansativo, eu sei, mas a medida que os capítulos passam você fica completamente curioso pelo desfecho de cada história.


Para que possam entender um pouco mais a história vou explicar um pouco de cada capítulo e personagem do livro.

O Diamante – 1947

1947: É onde a história se inicia, quando somos apresentados a Frances e seu slogan e passamos a saber mais sobre toda a publicidade em torno do diamante. Enquanto eu lia, pude considerar Frances uma mulher a frente do seu tempo, trabalhando em uma agência de publicidade; a Ayer, que possuía um número maior de funcionários homens e por mais que ela tenha passado anos tentando transmitir a ideia de que o anel de noivado, é o que deveria ser dado a mulher amada e escrito slogans sobre amores que durariam pra sempre e casamentos, ela era uma mulher que ao contrário das outras não buscava um casamento, não queria um anel de diamantes em seu dedo, e de certa forma, pelo menos ao meu ver, solitária. A impressão dada ao longo da história é que ela se dedicou tanto a empresa que esqueceu dela e da sua vida. Não possuía um número grandes de amigos e se sentia sempre julgada e pressionada pelas outras mulheres que tinham bons casamentos e filhos. Porém, essa ironia na vida de Frances parece fundamental para que ela exercesse a sua carreira com tanto sucesso, eu meu perguntei se os slogans criados por ela não poderiam ser de alguma forma uma forma de expressar o que ela realmente queria. Ao longo da história, quando ela se aposenta, parece que temos a sensação de que ela se torna cada vez mais insatisfeita com o rumo que a vida levou. Mas no fim fiquei um pouco admirada com a independência, a força de vontade, o talento e principalmente o “ser você mesma” que ela possuía.

De qualquer forma, normalmente ficava desapontada com o que via: suas bochechas chatas e grandes e seu sorriso largo e patético. Ela já tinha saído com homens que diziam que era bonita, mas conhecia os fatos. Ela era mais alta do que metade dos caras que trabalhavam com ela. Estava toda errada para uma mulher da época e da idade que tinha, pois o sexo frágil supostamente deveria ser acanhado, silencioso e de compleição pequena.

1972: Temos a história de Evelyn e Gerald, o capítulo se inicia com Evelyn já uma professora aposentada e Gerald um homem simplesmente viciado em sorteios, por mais que esse pareça ser o foco da história dos dois, isso é citado em pequenos trechos.

Seu marido, aos sessenta e seis anos, não se emocionava com mulheres bonitas ou carros velozes, mas sim com sorteios e concursos de todos os tipos.
A relação dos dois se inicia de uma forma inusitada, já presenciamos várias vezes aquelas relações em que o amor é construído com o tempo e foi justamente isso o que aconteceu com os dois; Evelyn aprendeu a amar a Gerald após passar por um dos momentos mais tristes de sua vida, nessa época ele foi o melhor amigo que pode ser a ela e depois o melhor marido. Eu achei linda a relação deles, pensei que justamente por esse amor ter sido “construído” que ele não seria tão intenso, mas foi uma das relações mais sólidas que o livro apresentou. Mas o conflito da história deles aparece quando seu filho, Teddy, decidi se divorciar de Julie, a nora que Evelyn tratava como filha. Evelyn considerava Julie a mulher perfeita para o filho, mas Teddy nunca foi o filho que os pais esperavam e isso gera uma série de conflitos, ainda mais quando Julie decidi que após o divórcio levará as filhas para longe dos avós.

“ Gerald deixará claro que eles deveriam apoiá-lo a todo custo e que, se assim o fizessem, ele perceberia o que havia feito de errado. Evelyn nunca interferira na vida amorosa do filho quando ele era jovem. Ela reprimira seus sentimentos várias vezes quanto a isso.”

1987: Nessa fase somos apresentados a James e Shirley, ele um paramédico e ela um enfermeira, que enfrentam diversas dificuldades financeiras. Assim como no capítulo anterior em que o foco maior ficou sobre Evelyn, dessa vez percebemos a história sob um ponto de vista maior de James, mesmo que o narrador seja terceira pessoa. Fica claro desde o início o quanto ele parece colocar toda a culpa das dívidas e dos demais problemas em suas costas.

“Ele queria que seus filhos desejassem. Não tinham culpa de que ele administrasse tão mal seu dinheiro que parecia que estava fazendo um esforço enorme para ficar endividado.”
James se preocupa com a mulher, com os filhos, e com sua mãe, mas de certa forma a culpa o deixou estagnado, ele parece estar sempre cansado, preocupado, e se sentido culpado que esquece de tentar buscar uma solução para organizar a sua vida. Ele fala muito sobre o quanto Shirley merecia alguém melhor e mesmo sem palavras claras é possível perceber o quanto ele se sente frustrado de não ter conseguido crescer na música, e agora se sente frustrado pelo fato de que, pare ele, não está sendo um bom pai e marido. Algo que não se pode contestar é o amor que tem pela família, mas como eu disse ele parece preso no mesmo lugar e tentando resolver os problemas com a casa e com as dívidas de uma forma distorcida.

“Ele sabia que seus sogros imaginavam que Sheila poderia ter seguido um caminho melhor. E talvez isso o incomodasse mais se ele mesmo não concordasse.“

2003: Chegamos a minha história favorita. Delphine, P.J e Henri. Eu simplesmente adorei essa história, toda vez que começava uma parte da história e ia passando pelos capítulos, ficava ansiosa para que chegasse nesse capítulo. Não tem como eu falar da história sem entregar tudo o que acontece entre esses três, mas vou tentar não revelar muito. Talvez, uma das coisas que eu mais tenha amado seja que parte da história se passa em Paris e de novo tenho que citar a parte de pesquisa da história, tudo foi muito bem retratado. Delphine é uma personagem um tanto intensa em tudo o que faz, e quando conhece um jovem músico clássico em Paris, abandona o marido Henri, e vai para os Estados Unidos com P.J. Delphine vê seu relacionamento com Henri como algo tranquilo, não existe uma grande paixão, existe amor, mas isso não foi o suficiente para impedir Delphine de abandonar a sua amada Paris.

“Só tinha se passado um ano desde aquela noite. Tinha algo sobre isso que deixava a situação ainda mais dolorosa; era muito pouco tempo. Ela seguira seu desejo trilhando um caminho que o tempo provara que a levaria a um desastre. Mesmo assim, fora suficientemente egoísta para acreditar que, no seu caso, tudo poderia ser diferente.”
Mas em um novo país, ela se vê sempre presa a P.J, sempre o aguardando voltar das viagens de suas apresentações, e as insatisfações com a sua nova cidade se mostram pelas diversas vezes em que ela compara Paris a Nova York. Não há nada que a mantenha ali além de P.J. Mas ao descobrir a traição de P.J, Delphine joga tudo pro alto mais uma vez e decide voltar a Paris, não sem antes fazer uma grande cena no apartamento que dividia com P.J.
Eu amei a intensidade, o drama, as paixões, os erros e acertos que essa história possui, isso somado ao modo que Sullivan escreve fez com que essa história me conquistasse.

“Agora, ela percebeu como seus olhos estavam escuros e inchados, os lábios enrugados. Ela tinha quarenta e um anos e, pela primeira vez na vida, aparentava a idade que tinha, talvez até mais velha. Seu pai uma vez lhe dissera, quando era menina, que havia muitas coisas que faziam uma mulher ficar bonita, mas nenhuma tão grande quanto estar apaixonada.”

2012: Esse é o último capítulo de cada parte e conta a história de Kate e Dan. Com pais divorciados, Kate cresceu repetindo que não iria se casar, ou seja, não iria colocar um anel de diamante no dedo. Porém não é divorcio que causou isso em Kate, ela é aquela pessoa que se preocupa demais com os outros, mas eu não estou falando necessariamente da sua família. Kate simplesmente não suporta a ideia de ter um diamante pelo fato de saber que tipo de trabalho é realizado por quem extrai os diamantes das minas, e o fato de não entender as pessoas gastarem tanto dinheiro nisso, não suporta a ideia do casamento após descobrir como o casamento foi sendo realizado ao longo dos anos, e por não entender tamanha preocupação por uma cerimônia que dura apenas algumas horas. Mãe de Ava, se preocupa com o futuro da filha a deixando longe de tudo o que considera perigoso, desde alimentos com agrotóxicos a roupas caras.

“Kate acreditava que o nascimento de Ava aliviaria um pouco a pressão em relação ao casamento, mas fora um erro de cálculo de sua parte. Na agitação toda dos preparativos para o casamento de Jeff , tudo viera a tona novamente.”
Mas quando seu primo Jeff resolve se casar logo após o casamento homossexual ser considerado válido, ela se vê mais uma vez pressionada pela família para se casar, mesmo que ela e Dan concordem que não é um casamento que determina o quanto eles se amam, ou o quanto esse relação irá durar. Mas essa pressão sobre Kate fica ainda maior quando ela se vê responsável pelos anéis de diamante de Jeff e Tobby.

“O que fazia seres humanos sãos se importarem tanto com uma festa de cinco horas? Uma parte pequena, sombria e curiosa dela – a mesma que se perguntava como deveria ser usar heroína ou gritar bem alto em um teatro lotado – desejava experimentar a sensação só por um instante, para conseguir entender.”

São cinco histórias diferentes, tenho as minhas favoritas, por mais que todas sejam ótimas e tragam bons temas, mas enquanto lia eu ficava pensando em qual seria o final para cada história, todas possuem algo em comum: o anel de diamante, em cada uma das histórias esse objeto aparece e acaba se tornando o protagonista da história. O que eu não esperava é que a que todas as histórias iriam acabar se ligando no final, mesmo com personagens diferentes e em tempos diferentes, ponto para a autora, que mesmo com um livro longo, um tanto cansativo, acaba conseguindo prender o leitor e nos levar para um final surpreendente, ao invés de deixar o final vago ou em aberto.

Eu fiquei feliz pela forma em que os relacionamentos foram retratados, sem demonstrar uma relação perfeita e sim uma relação com problemas, nem sempre tão felizes, mas acima de tudo o amor foi retratado de uma forma verdadeira e sincera, mesmo com tantas histórias e personagens tão diferentes, a forma com que cada um valoriza o amor e luta por ele e por seus casamentos e relacionamentos. É um livro que se torna lindo não pela escrita, por mais que a autora escreva muito bem, mas sim, pelo fato de que as histórias, são histórias que podemos ver a qualquer momento. Os personagens são absolutamente reais, não são perfeitos e depois poder ver histórias tão diferente se entrelaçando torna a leitura ótima. A leitura é envolvente porque o livro possui personagens intensos e envolventes, com defeitos, qualidades e atitudes, talvez parecidas com as nossas e em situações que podem tranquilamente acontecer com qualquer um de nós.

Eu geralmente não gosto de livros narrados em terceira pessoa, pois acho que faltam alguns detalhes e não conseguimos ter muita noção do que os personagens estão sentindo e pensando, mas nesse livro isso não foi um problema, a autora soube levar isso muito bem, foi bastante detalhista, em alguns momentos deixando até a leitura mais “pesada” por causa disso. Mas o resultado final foi um livro maravilhoso e uma grata surpresa pra mim!

O livro está mais do que recomendado, mas eu diria para o lerem aos poucos para que não percam qualquer detalhe dessa história. É aquele livro que que sempre nos dá um motivo para pensar.

Espero que tenham gostado dessa enorme resenha! kkkkk

Beijos e até o próximo post! <3


O Diamante – Parte 1 (1972)




Resenha cedida em parceria com o blog:
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