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[Resenha] Se Eu Ficar - Gayle Forman

09 dezembro 2014

Título: Se Eu Ficar - Livro 01
Autora: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
Ano: 2009

Sinopse:
A última coisa de que Mia se lembra é a música. Depois do acidente, ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... E o seu amor luta para ficar perto dela. Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de todas.
Se ela ficar...

Viva para amar…

Olá, pessoas! Sou nova aqui, meu nome é Natália Ribeiro, mas todo mundo acaba me chamando de Naty, de qualquer forma, tenho 15 anos e estou no primeiro ano do ensino médio. Fui convidada pela Luna Brandon a participar do blog e a Kelly que me deu a real oportunidade de participar dessa equipe.

A minha primeira resenha é sobre um livro que li a pouquíssimo tempo, mas que me cativou e sei que causou o mesmo em muitos leitores. Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, mas por tudo que li, tenho certeza que estou diante de uma linda história.
Vocês devem ter percebido a frase que iniciou o post, certo? Essa frase que está na capa do meu livro, me chamou a atenção desde o início. E acreditem, é uma frase que pode caracterizar a essência do livro, para quem ainda não leu, a tenha em mente, ela é fundamental para que a história possa ser compreendida por inteiro.
Se Eu Ficar, para quem ouve o nome, ou para quem lê a sinopse pode parecer algo tão clichê, ou simplesmente vago, comum, fácil de ser entendido. Mas eu, como leitora, tenho, talvez, a irritante mania de querer entender tudo o que foi escrito no livro, página por página busco uma lição, um significado, um ensinamento, uma mensagem que posso levar para a minha vida. E esses livros que parecem tão sutis, tão vagos, tão clichês, muitas vezes são os melhores nisso.
Sempre ouvimos aquela história de que quando o amor é verdadeiro suporta a dor, a distância e até mesmo a morte, isso nunca passou despercebido na literatura, sempre sendo usado em vários clássicos.

“O quase não importa. É preciso encarar a situação real, do jeito que ela se apresenta no momento presente. E a Mia continua aqui.”

Porém, em Se Eu Ficar, no início, é difícil pensar que o namoro de dois jovens iria ultrapassar tantas barreiras. Serei obrigada a confessar que quando li o livro fiquei pensando como um amor tão recente e aparentemente tão fraco, iria ter forças para lutar contra um risco de morte.
Sabe aqueles livros que começamos a ler e pensamos que não conseguiremos continuar? Ou que ao lermos parece que a história não irá adiante? Sim, mais uma vez vou fazer a confissão de que no início foi exatamente o que pensei, e em alguns momentos questionava se deveria seguir a diante com a leitura.
Porém, agora, agradeço a motivação que tive para não desistir dessa história que se tornou tão maravilhosa ao longo das páginas que fica difícil fazer uma crítica ruim. A autora Gayle Forman, faz com que o livro não se torne impressionante logo na primeira página, ela vai te levando para um final surpreendente, a história vai te cativando aos poucos, vai te prendendo, te emocionando, até que se torne impossível parar de ler. Tanto que a intensidade das palavras presentes nas últimas páginas são completamente diferentes das existentes no restante da história.
Todos já ouvimos falar que o livro é emocionante, e de fato, é (perdi a conta de quantas vezes chorei, mesmo para mim, que sou sensível e me emociono com tudo, okay, eu sou a Rainha do Drama como diria a minha gêmea Luna).
Mas acho que, pra quem ainda não leu, é importante saber mais sobre a história, antes que eu fique aqui apenas tecendo elogios à história e a escrita maravilhosa.
Mia, é uma garota apaixonada por música clássica, sendo a sua paixão tocar violoncelo, de uma família de músicos, todos voltados ao punk, ao rock, com uma melhor amiga incrível, Kim, e um namorado, também músico, por quem (eu confesso), também me apaixonei. Ao longo da história, diversas vezes Mia retorna ao fato de parecer que não pertence a sua família, tanto pelas suas diferenças físicas, comparadas as do irmão, Teddy. E quanto ao seu gosto musical, sempre indo de encontro ao gosto de seus pais e parentes. Além das vezes em que ela pergunta “Por que eu?” quando se refere a como, Adam, poderia ter se interessado por ela. Sim, eu estou falando de uma protagonista, que em muitos momentos parece auto depreciativa, e que sente como se não se encaixasse em nenhum lugar. Falando assim, a história parece clichê, parece vaga e comum, não é? Talvez assim, vocês possam entender as dúvidas que tive no início da leitura.
Mas não vejam o livro como apenas isso, o que eu passei a perceber ao longo do livro, é que não é simplesmente a história de uma menina buscando o seu lugar no mundo, é um livro sobre as relações que temos com nossa família, amigos, namorados.
Até que um dia, pela manhã, em um dia em que a neve havia caído na cidade, Mia e sua família sofrem um acidente de carro, vitimando seus pais e seu irmão. Mia, se torna a única “sobrevivente”, e ao chegar no hospital em estado gravíssimo, ela tem 24 horas pra decidir se irá ou não ficar. Sempre ouvimos que as primeiras 24 horas após um grave acidente são essenciais não é? Nesse livro, é nesse tempo, em que Mia tem que decidir entre a vida e a morte.

“Todos pensam que foi por causa da neve. E, de certa forma, creio que estejam certos.”

É aí que a história começa a se desenvolver, o livro é marcado por horários, mostrando a passagem do tempo, dando uma sensação de angústia ao ver o tempo passando enquanto esperamos a decisão de Mia.
Mas, qual deveria ser a decisão dela? Após, perder os pais, o irmão, como ela poderia ser feliz? Mas se ela não ficasse o que ela estaria perdendo?
Mia cita no livro, que não aceitava a morte de seu irmão por tudo que ele deixaria de realizar, sendo que ainda era uma criança e tinha muito ainda a fazer. Mas e ela, ela deveria desistir porque achava que já havia feito tudo que poderia fazer nessa vida? E seria justo esquecer todos os planos dela?


Antes do acidente, Mia, estava se esforçando o máximo para conquistar uma vaga em Juilliard, é nesse momento que surgem problemas com Adam, como os dois poderiam ficar juntos mesmo distantes? Já que ambos estavam seguindo caminhos diferentes. O amor dos dois seria forte o suficiente para suportar essa distância?
O livro levanta diversas questões, isso foi uma das coisas que mais me agradou. Eu percebi que cada pessoa que leu o interpreta de uma forma, para mim, são as relações familiares, o fato de sentir que não pertenço aquilo tudo. Para outros pode ser as dificuldades que qualquer relacionamento passa, e para muitos, a força da amizade.
As cenas do livro seguem uma ordem, entre passado e presente, são mescladas cenas do hospital - onde Mia vê seus familiares, seus amigos, seu namorado e os esforços deles para que ela fique – com lembranças dela, relembrando a sua relação com seus pais, o nascimento do irmão, a forma como conheceu a melhor amiga e o seu relacionamento com Adam.
O livro é uma forma de dizer que qualquer coisa, a qualquer momento pode acontecer, mudando tudo o que tínhamos planejado, destruindo as nossas defesas e nos deixando a ponto de desistir e principalmente, nos dando a chance de repensar o que fizemos até agora.

“Às vezes você faz escolhas na vida, e as vezes as escolhas fazem você. Essa é a beleza das coisas.”

Mais uma vez clichê? Bom, então podemos dizer que o livro é um conjunto bem amarrado de clichês e que vale a pena ler. Às vezes o que precisamos é apenas pensar e esse livro é uma ótima escolha.
Bom, eu falei, falei, falei muito aqui sobre escolhas, sobre a história do livro. Mas quem ainda não leu deve estar se perguntando “ Mas, então? Ela fica?” , eu terei que dizer (não que queira oferecer spoilers aqui, mas acho que essa história realmente merece) a vocês que ela esteve a ponto de desistir em vários momentos, e esses momentos montaram os meus trechos favoritos do livro, como por exemplo quando o avô, ao lado do leito dela no hospital a dá liberdade para ir:

“- Tudo bem. Se você quiser partir – diz ele. – Todos nós queremos que você fique. Eu quero que você fique mais do que já desejei qualquer outra coisa na minha vida. – De tão emocionado, vovô diz isso com a voz embargada. Ele faz uma pausa, pigarreia, respira fundo e continua: - Mas está é a minha vontade e vejo que talvez possa não ser a sua. Então, eu só queria dizer que entendo se você decidir partir. Tudo bem se tiver que nos deixar. Tudo bem se você decidir parar de lutar.”

Outro momento que me emocionou e talvez seja o meu favorito no livro, foi o momento em que Mia receba a visita da sua melhor amiga. Sempre levei a sério a força da amizade, mas depois que li esse livro, pude perceber que não existe um sentimento que supere uma amizade verdadeira. Mia e Kim, as duas garotas vistas como estranhas que se aproximaram e se tornaram inseparáveis (não vou repetir a parte de ser ou não clichê). Mas, Kim diz algo que ficou um bom tempo em minha mente, não temos a sensação que os amigos às vezes são a nossa família também? Que temos um amigo que vale por irmão?

“ – Estou dizendo tudo isso por um motivo – prossegue ela – Tem mais ou menos umas vinte pessoas lá na sala de espera agora. Algumas são da sua família, outras não. Mas todos nós somos a sua família agora.
- Você ainda tem uma família.”

E sobre a decisão dela? Eu falei no início que havia me apaixonado por Adam, isso aconteceu  por uma atitude dele que me emocionou. O que fez Mia ficar? O amor de Adam por ela, sim, o amor dos dois era forte o suficiente para superar até mesmo a morte e mesmo que houvessem problemas depois sobre qual seria o caminho que os dois deveriam seguir, Adam toma uma atitude tão linda que me fez praticamente suspirar entre as lágrimas enquanto lia. Ele a amava tanto a ponto de sacrificar o seu sentimento e o relacionamento dos dois para que ela ficasse, foi isso que influenciou a decisão de Mia: o sacrífico de Adam em nome da vida dela:

“Se você ficar, vou fazer tudo o que quiser. Vou sair da banda e vou para Nova York com você. Mas, se quiser que eu saia da sua vida, vou fazer isso também. Estava conversando com Liz e ela disse que, talvez, voltar para a sua antiga vida fosse doloroso demais, e que talvez seja mais fácil para você simplesmente apagar todos nós da sua vida. Vai ser uma barra pesada para mim, mas posso aguentar. Aceito perder você desse jeito, se eu não perdê-la hoje. Vou deixa-la livre. Se você ficar.”

Eu acho que depois de tudo isso, não preciso dizer que o livro está mais do que recomendado, pra quem quer uma leitura emocionante, que rende muito o que pensar, ou quem simplesmente quer ler um lindo romance, vale a pena. Me encantei pela escrita da autora, delicada e sutil, no começo a escrita é leve, simples, mas, sem que pudemos perceber, vai nos levando para uma busca angustiante por um final. Esse livro me trouxe ótimos ensinamentos, e para uma leitora como eu, isso é o que importa quando leio um livro, adquiri um carinho enorme por cada personagem, aliás, cada personagem é tão bem estruturado, tão bem definido, com seus defeitos, qualidades, os personagens parecem tão humanos, tão suscetíveis a erros, ao contrário de muitos livros que lemos em que sempre existe um personagem retratado como “perfeito”. A única coisa ruim do livro, foi como ele terminou, eu juro que se já não tivesse a continuação do livro (Para Onde Ela Foi) escreveria um email para a autora cobrando a forma como ela termina o livro, eu reli mil vezes a última fala, tentando entender porque termina com uma interrogação” - Mia?
Enfim, espero que tenham gostado da resenha, foi a minha primeira, então peço desculpas por qualquer falha. Tenho a leve impressão de que a resenha ficou muito grande kkkkkkk mas isso é uma característica minha, costumo escrever muito, falo pouco e escrevo muito, não é a toa que me apaixonei pelos livros.


Beijos e até o próximo post! E claro, não posso deixar de dizer isso... Vivam para amar!

Naty Ribeiro

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