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[Rsenha] Para Onde Ela Foi - Gayle Forman

16 dezembro 2014



Título: Para Onde Ela Foi - Se Eu Ficar (Livro 2 )
Autora: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 240
Ano: 2011
Sinopse: Se você tivesse uma segunda chance para o primeiro amor... Você aceitaria? Já faz três anos que o amor de Adam salvou Mia após o acidente que mudou a vida dela. Três anos desde que Mia saiu da vida de Adam para sempre. Vivendo agora em lados opostos do país, Mia é um talento em ascensão na Juilliard, a conceituada escola de música, e Adam é o típico astro do rock de Los Angeles, com direito a notícias nos tabloides e uma namorada-celebridade.Quando Adam se vê sozinho em Nova York, o acaso reúne o casal mais uma vez. Por uma noite. Com a mesma força dramática de Se Eu Ficar, agora pela voz de Adam, Para Onde Ela Foi expõe o desalento da perda, a promessa de esperança e a chama do amor que renasce.


Para Onde Ela Foi


Me odeie
Me devaste
Me aniquile
Me recrie
Por que não?
Por que não?
Por que não me recria?”

Animate – Shooting Star



Olá, pessoas! Voltei, e dessa vez, voltei com uma resenha da sequência de Se Eu Ficar. Já que já havia feito a resenha desse livro, após ler a sequência, achei que seria ótimo para os leitores dos livros terem essas duas resenhas aqui no blog.
Enfim, repararam na música que eu iniciei o post, sim, talvez, tenha essa mania de começar a resenha com algo que lembre o livro. Mas quando li a letra dessa música no livro, foi impossível, de certa forma não associar a Adam e Mia.
 Cada novo capítulo do livro começa com trecho de uma música, as músicas da banda de Adam. Perceberam as questões que a letra da música levanta? Lembram, que na resenha de Se Eu Ficar eu disse que o livro levantava diversas questões? Então, nessa continuação isso permanece.
Sempre temos certo receio quando começamos a ler uma continuação, não é? O que será que está por vir? A autora vai conseguir manter a história tão incrível como no primeiro livro? Eu pensava nisso quando comecei a ler, tinha muitas dúvidas e muitos medos, medo principalmente do que aconteceria com esse casal, qual deveria ser o final para os dois?
Dessa vez o livro foi narrado por Adam, algo que acabou me surpreendendo, mas aos poucos pude entender que a narração dele era essencial para que pudéssemos entender a história por completo, só ele poderia dar detalhes sobre o tempo que passou, pois foi ele que sentiu na pele o que o distanciamento de Mia provocou a ele.
Nesse livro, a história começa três anos depois do fim do primeiro livro. Lembram que Adam deu uma escolha a Mia? Que ela poderia seguir a vida dela longe dele, desde que ela ficasse. E é em torno disso que a história gira. Após três anos, a banda de Adam, a Shooting Star, é um sucesso, com direito a turnês gigantescas e cd de platina duplo e Mia é um violoncelista em ascensão.
Após o fim do tratamento, Mia toma uma atitude que eu não esperava e que no início me deixou com raiva, ela parte para Nova York estudar em Juilliard, que era um de seus sonhos, só que para isso ela abandona Adam e faz isso de forma sutil, ela simplesmente vai parando de manter contato com ele, até que simplesmente, não reste nada. E talvez agora ninguém entenda o que aconteceu, Adam não tinha feito Mia ficar? Eles não teriam que estar juntos? A verdade é que o primeiro livro termina de uma forma muito subjetiva, então nós apenas criamos suposições do que poderia ter acontecido com esse casal. Mas o que faz com que os dois se separem? Adam fez com que Mia ficasse.

“Você estava tão ocupado tentando ser meu salvador que me deixou sozinha.”

De fato, ao longo do tratamento, Adam deu total apoio a ela, mas a preocupação com ela, com o que ela estava passando, com medo de apenas tocar nela e a fazer lembrar do sofrimento que foi perder a família, fez com que ele se afastasse dela. Assim, isso motiva a partida de Mia
Sozinho, Adam volta para a casa dos pais, sempre tentando entender os motivos que levarão Mia a ir embora e deixar para trás os dois anos que eles passaram juntos, preso a todo o sofrimento da distância, a agonia e ao ódio de não saber o que realmente aconteceu e tentando entender a decisão de Mia, Adam volta a compor e em poucas semanas, ele produz músicas suficientes para o novo álbum que marcaria o retorno da Shooting Star, o Colleteral Damage, esse álbum levou a banda ao “estrelato”, com milhões de cópias vendidas, a banda passa a se consolidar, com direito a turnês mundiais e, claro, a atenção da mídia, Adam passa a aparecer em diversas revistas, mas tamanha exposição a mídia, fez com que Adam se isolasse, longe dos companheiros da banda.
Do primeiro para o segundo livro, a personalidade de Adam se transforma totalmente, ele deixa de ser o cara leve e divertido, ele passa a se esconder, a se afastar, e como ele mesmo diz, de certa forma a música deixa de perder o sentido para ele e isso acontece por causa de Mia.

Mia... Você não entende? A música é o vazio. E você é o motivo.

Eu, realmente, não esperava o que li no livro, fiquei fascinada por tudo que Se Eu Ficar trouxe, mas Para Onde Ela Foi é intenso, é impossível parar de ler, mas a forma como a mente de Adam parece tão perturbada que em certos momentos é angustiante continuar a ler. Ele parece ao mesmo tempo tão fechado e tão recluso e ao mesmo tempo sempre a ponto de desabar, ao longo da leitura do livro, percebemos que Adam não está aguentando mais o que a vida dele se transformou, mas o que o fez ficar assim? A busca incessante dele para saber os motivos pelos quais Mia o deixou, o porque de ela nunca ter sido sincera com ele, o fato de parecer que depois do sucesso e do reconhecimento ele não tinha mais controle da própria vida, a perca da paixão que ele tinha pela música. E tudo isso estava ligado a Mia. Adam nunca perdoou o seu passado e durante os três anos após a saída de Mia de sua vida, ele ainda vive ligado a esse passado, sempre tentando entender o que realmente aconteceu, mas isso se prendeu a ele de uma forma que o impediu de realmente viver. Ele não deixou que a vida seguisse o seu curso, não “se deixou ir”.

Deixar para trás. Todo mundo fala como se isso fosse a coisa mais fácil. Abrir seus dedos um a um até a sua mão ficar aberta. Mas minha mão ficou fechada num punho por três anos, e agora está bem fechada.

Durante o três anos, Adam alimentou todas essas ilusões, inseguranças e esses medos, e talvez o destino brincando mais uma vez com a vida desse casal os reuniu mais uma vez, após ter um surto diante de uma jornalista durante uma entrevista, Adam sai pelas ruas de Nova York até ficar na frente do Carnegie Hall, onde Mia iria se apresentar. Nos dois livro há uma certa relação com o destino, com tudo aquilo que acontece e não podemos controlar. Mais uma vez, Adam e Mia, após três anos estão frente a frente e ao longo da noite eles podem responder as perguntas que durante três anos atormentaram Adam.

''Acabei percebendo que há uma grande diferença entre saber o que aconteceu e saber por que aconteceu, e acreditar nisso.''

É a partir desse momento que o livro ganha forma, pois algo que com certeza vai mexer com todos os leitores é o fato de também tentar entender o que aconteceu com Mia. Como ela diz no livro, aquela noite seria a turnê de despedida, Mia iria para Tóquio e Adam para Londres, e Mia estava se “despedindo” e Nova York, só que é durante esse despedida que todas as questões que Adam havia a tempos buscando respostas serão reveladas e eles poderão esclarecer tudo o que esses três anos fizeram a eles.
É incrível como é difícil escrever sobre esse livro, como podemos escrever muito sobre ele, mas parece que está sempre faltando algo, é aquele livro que parece que não conseguimos compreender por completo, cada um irá vê-lo de determinada forma, assim como em Se Eu Ficar, mas nessa sequência é tudo tão denso, tão pesado e tão intenso que fica difícil dizer qual a principal lição, ou principal fato do livro.
Eu sempre vi a história como um perdão ao passado. Ambos mudaram ao longo desses três anos, mas havia pontas do passado de ambos que ficaram soltas e que os prendiam aquele passado, aquele acidente, aquela promessa de Adam. Porém , é claro isso prejudicou o presente e futuro deles. Ao longo da leitura, você vão notar uma Mia mais madura, mais forte, ela realmente aprendeu com a morte da sua família, ela se reergueu, ela estará diferente, mas isso é óbvio, ninguém passa por acidente em que se perde a família de forma ilesa tanto física quanto mentalmente e Mia amadureceu. Já com Adam, a sensação que tive, é que ele apenas via o presente passar pelos seus olhos, enquanto vivia no passado, vivia preso as suas dúvidas, aos seus medos e a Mia.

Eu a culpei por tudo isso, por partir, por me arruinar. E talvez isso tenha sido a semente, mas dessa sementinha cresceu esse tumor. E sou eu quem a alimenta. Eu a rego. Cuido dela. Mordisco suas amoras venenosas. Eu a deixo se enrolar no meu pescoço, sufocando o ar em mim. Fiz isso. Tudo sozinho. Tudo para mim mesmo.

Enfim, o que move toda a história do segundo livro é a promessa feita por Adam no final do primeiro livro, ele nunca realmente a deixou ir, nunca seguiu o que prometeu, sempre quis saber o que fez com que Mia o abandonasse, mas foi ele, foi essa promessa que o levaram a estar da forma que estava, ele continuou alimentando todos esses sentimentos durante esses três anos e quando Adam finalmente reconhece esse seu erro, é como um baque para quem lê, e essa foi a parte em que não resisti, em que pensei em parar de ler porque inevitavelmente comecei a chorar, mesmo sabendo que o que Adam dizia era verdadeiro.

Entendi agora.
Tenho de honrar minha promessa. Deixá-la ir. Deixá-la ir realmente. Deixar nós dois irmos.

Por mais que o título pareça falar sobre alguém especifico “Para Onde Ela Foi” (Para Onde Mia Foi) já que pelo ponto de vista de Adam, ela parece inalcançável, mas depois de ler o livro, para mim, não se trata apenas a Mia, claro que ela é ponto chave da história, mas também se refere a Adam, o quanto ele se perdeu nesses três anos, o quanto ele se afastou de tudo e de todos.
E após entender os motivos de Adam e Mia, e quando finalmente ele entende os erros dele, parece que o fim do casal está próximo, Mia até mesmo dá as costas a Adam e se afasta dele, mas talvez o que eu diga agora seja clichê, mas o amor desse casal provou ser mais forte.
Eu já disse aqui que o amor deles era muito forte, forte o suficiente para salvar Mia. Mas não forte o suficiente para mantê-los juntos depois que Mia acorda do coma, e eu pude entender os motivos dos dois. Mas agora, esse amor, mais uma vez deu provas de que poderia resistir, mas para isso era necessário que ambos entendessem e perdoassem.
E quanto ao final? Depois de tudo o que ambos sofreram, eu esperava um final incrível, com direito a “Felizes Para Sempre”, mas Gayle, mais uma vez foi incrível e resgatou algo essencial, não bastaria que eles ficassem juntos e passassem por cima de tudo, era necessário um recomeço, a partir de tudo o que ambos aprenderem durante esse tempo.

Canto com tudo que tenho. Então vamos para o refrão: Me odeie. Me devaste. Me aniquile. Me recrie. Por que não, por que não, por que não me recria?

Talvez aí esteja outro ponto essencial do livro: o recomeço, mas não se pode fazer isso se ignorando tudo o que já aconteceu, como eu falei antes, o livro é um perdão com o passado, e é somente fazendo isso que conseguimos realmente um recomeço, ou melhor, seguindo a letra de “Animate” da Shooting Star, nos recriar.
Para quem leu Se Eu Ficar e está receoso quanto a sequência, assim como eu fiquei, leiam, mais uma vez a autora vem com uma escrita sutil, e aos poucos vai nos prendendo na intensidade da história. O que eu mais gostei, é que ambos ocorrem em não muito espaço de tempo, cerca de 24 horas, mais uma vez trazendo aquele sentido de que sempre algo pode acontecer nos mudando totalmente. Os personagens mais uma vez são tão bem montados e cheios de falhas e medos, eles são apenas humanos, que de certa forma, acabamos nos identificando, ponderando as nossas atitudes. É um livro lindo que fez com que eu me apaixonasse desde o primeiro parágrafo até o ponto final, e fazia tempos que não me encantava por uma história da forma que essa me encantou. A leitura está mais do que recomendada.
E eu não poderia terminar essa resenha, sem um dos trechos que eu mais amei na história.

Meu primeiro impulso não é agarrá-la, beijá-la ou gritar com ela. Só quero tocar seu rosto, ainda corado pela performance de hoje.
Quero diminuir o espaço que nos separa, medindo em passos – não em quilômetros, não em continentes, não em anos -, e colocar meus dedos calejados no seu rosto... Mas não posso tocá-la. Esse é um privilégio que não existe mais.

Imaginem como eu (que me apaixonei pelo Adam) fiquei ao ler esse trecho! Eu ainda estou completamente apaixonada pela história, e até queria mais uma continuação, mas com o final que esse livro teve, seria impossível continuar, não sem perder a essência do livro.
Enfim, espero que tenham gostado dessa resenha e até o próximo post. Beijos!



Naty Ribeiro
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